Hoje dia 23/06/08, 10 meses após o diagnóstico...


Esta reportagem saiu na revista Mente e Cérebro, na edição 183, de abril/08


Escrita para curar
Em alguns casos, escrever de forma orientada sobre experiências traumáticas pode ajudar pessoas a refletir sobre si e a superar a dor da perda
por Massimo Barberi (Jornalista Científico)
FOTO MONTAGEM: TATIANE SANTOS DE OLIVEIRA/ © RICHARD TUSCHMAN/STOCK ILLUSTRATION SOURCE/GETTY IMAGES/ CANETA: © LEO BLANCHETTE/SHUTTERSTOCK

Há seis anos Marta perdera o marido em um acidente de carro. Embora tivesse, aparentemente, superado o trauma, custava-lhe manter as relações com os amigos e ainda mais conhecer novas pessoas. Dormia e comia muito pouco e um véu de tristeza permanente a atormentava. Por sugestão de pessoas próximas decidiu procurar ajuda terapêutica. Na primeira consulta, falou por meia hora. Depois se calou. E continuou calada nos três encontros seguintes.

Não é que não quisesse continuar (ou iniciar) a psicoterapia – simplesmente não conseguia falar. Ainda assim tentava: chegava na hora marcada e se empenhava para romper a própria mudez. Cerca de um mês após o início dos encontros o psicólogo interrompeu seu silêncio com palavras que surpreenderam Marta: “É suficiente por enquanto. Na próxima semana, traga um caderno e uma caneta”. Marta levou o material pedido e -– para sua surpresa – conseguiu expressar nos encontros seguintes muito mais do que imaginava. Por meio da escrita vieram as lágrimas, o reconhecimento da frustração e da raiva pela perda precoce, as associações que a remeteram a cenas de morte vividas na infância, as reflexões, de novo as palavras -– e um novo alento.

Embora não seja muito comum, em certos casos, alguns psicólogos recorrem, em vez da fala, à escrita. Registrar no papel experiências negativas, como um luto, pode ser uma técnica terapêutica eficaz em determinadas circunstâncias. Alguns estudos mostram efeitos da narrativa escrita sobre a saúde em geral, física e psíquica, mesmo de pessoas sãs. Os resultados são animadores, a tal ponto que a velha idéia do “caro diário” foi revalorizada."...

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Amigos:

Fiquei bem feliz ao ler esta reportagem. Confirma aquilo que faço e sinto: quanto mais escrevo, menos lembro de que estou enfrentando um longo e difícil tratamento. Além de que procuro atrair efeitos cada vez mais positivos, para que tudo continue bem.

Gosto de navegar na net e encontrei esta reportagem na revista Mente e Cérebro, conforme relato acima. A reportagem prossegue (encontrei-a no site da www.uol.com.br). Quem quiser mais, acesse. Vale à pena...

Tudo continua bem, graças a Deus. Amanhá volto na médica para que confirme a melhora, cada vez mais visível.

Hoje faz dez meses que fiz 52 anos. Quem me acompanha, sabe que foi neste dia que recebi o diagnóstico da Leucemia Mielóide Aguda (tipo 2). Presente de grego? Deve ser um presente que eu precisava ganhar para que passasse a viver ainda melhor. Só pode ter sido...

De repente, vi que sou apenas mais uma pessoa no mundo e que tudo gravita em torno de outras coisas além do meu umbigo.

Claro, enquanto a gente está saudável, importante profissional e socialmente, de bem com a vida (principalmente se tiver dinheiro no bolso ganho com seu próprio suor e com ele satisfazer-se), não se importa muito com as coisas que não nos atingem.

Estou errada? Duvido... Experimente parar com tudo e começar uma luta imponderável...

Hoje acordei com uma certeza grande de que o período cinzento realmente está ficando para trás. Acordei cedo demais porque precisava ir para o laboratório fazer uma série de exames que dirão como estou internamente. Como tive surpresas num dos últimos exames, continuarei tensa até o momento que receber o resultado. Prometi não olhar mais o resultado antes da médica. Náo quero mais sofrer por antecipação ou dentro da minha "leiguice", começar a imaginar fantasmas, como fiz noutro dia.

E minha certeza, vem da fé que se multiplicou em mim e de tantas orações que faço. Rezo a todo momento (ganhei um livro que era o de cabeceira da Dalva- que já está lá em cima -
, presenteado por sua filha Manu, que diz assim: "tudo o que pensamos é uma oração. Cada palavra que pronunciamos é uma prece. Todo ato nosso é uma oração, porque o Espírito Santo vive em nós".

O livrinho fácil de ser lido e bem apresentável, chama-se "POSSO CONSEGUIR O QUE DESEJO", de Iyania Vanzant. Simples e sábio. Como ela que me ensinou tantas coisas em pouco tempo. Agora sua filha está fazendo parte de minha vida, com tanta intensidade!... Coisas lá do Alto...

A certeza também vem das orações de tanta gente que se compadeceu do meu caso e lembra a Deus de que quero viver mais e melhorar ainda mais minha forma de vida. E tenho sido atendida, sempre.

Continuo me sentindo bem (e este é o melhor resultado e supera qualquer papel de um laboratório por mais conceituado que este seja), como me ensinou a dra. Dani.

Só preciso ganhar mais peso. Continuo com o mesmo peso (hoje até fiquei abaixo do peso da última consulta) mas nada preocupante. Acho que preciso comer mais...rs..

No resto, estou maravilhosa...

Beijocas, amigos...Vou passear um pouco com o meu gatáo e tirar algumas fotos deste inverno iluminado e maravilhoso (mesmo com tanto frio), que faz nesta bela Florianópolis...


1 Comment:

Ubiratan Oliveira said...

Oi linda da mana, tudo bem?

Adorei ler o blog hoje: é a confirmação de que o teu diário cibernético tem realmente te feito bem (e também a nós, seus leitores,que mais do que nos mantermos atualizados, temos aprendido um bocado com a tua fé e coragem)...
Adorei saber de tudo!
Só queria que tu pedisse para o Rô ajeitar a margem direita do blog, porque tem uma fazixa branca que "comeu" algumas palavras, dificultando um pouco a compreensão do texto...
Estou morrendo de saudades!

Beijos,

teteca